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Quebrar o quê?

Por: Rafael Viana


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Minha mãe realiza trabalhos de artesanato e sempre eu ou meu pai fotografamos tais trabalhos para servir de referência para futuros clientes ou até mesmo para ela. Tento organizar as fotos por temas, como por exemplo lembrancinhas de aniversário, peças de anatomia, pois ela mesma diz “eu não entendo nada dessas coisas de computador”. Ontem aconteceu algo que chamou minha atenção e me deixou bastante intrigado. Narrarei o fato nos próximos parágrafos e irei mostrar algumas conclusões interessantes sobre o ocorrido.
Eu e minha mãe, realizávamos um levantamento de todas as fotos e ela me acusou de desorganizar as fotos e que eu também tinha sumido com algumas fotos que haviam sido tiradas recentemente. Esse levantamento me fez sugerir que ela mesma catalogasse as fotos ou que ela pelo menos participasse de tal catalogação. Também sugeri que ela colocasse tais fotos na internet, coisa que só é feita por mim, pois como ela mesma diz “eu não entendo nada dessas coisas de computador”.
Agora vem o que mais me intrigou. Quando eu disse que eu a ajudaria a aprender sobre como “mexer” em um computador ela logo disse que não queria saber porque tinha medo de “quebrar” algum programa. Aí vei na minha mente: nós podemos quebrar programas? Claro que não, pois softwares não podem ser “quebrados”, já que eles são os componentes lógicos de um computador, algo que não podemos tocar.
Todos conhecemos muitas pessoas que têm essa mentalidade, principalmente pessoas maiores de 35 anos. Será que alguém dessa faixa etária já perguntou a você “como eu faço para fazer o meu email?”, mesmo no mundo de hoje onde os sites, e sistemas em geral, estão cada vez mais voltados para usabilidade, tornando-se cada vez claros e fáceis de utilizar? Ou será que eles estão realmente tornando-se fáceis para essas pessoas? Por que mesmo hoje tais pessoas encontram tanta dificuldades ao utilizar coisas simples, como sites que lhe permitem fazer um email, ler um blog ou utilizar um motor de buscas como o Google?
Será que a resposta tem algo a ver com a palavra QUEBRAR mencionada anteriormente?
Algo que me deixa bastante preocupado é como nós, desenvolvedores de uma geração completamente diferente, iremos fazer essas pessoas utilizarem nossos sistemas, pois elas representam uma fatia muito interessante do mercado, um mercado com alto poder de compra e ainda pouco explorado? Vale lembrar que daqui a uns 10 anos o Brasil irá ficar mais próximo da realidade dos países desenvolvidos, onde a população de idosos com dinheiro para gastar é bem alta. Será que essas pessoas que conseguiriam fazer suas compras, usar os serviços públicos, cada vez mais informatizados, ou mais importante, comunicar-se?
Tento chamar atenção com este post para não deixarmos pessoas como nossos pais, mães, tios e pessoas mais idosas que vieram de uma realidade bem diferente e que tem um poder de compra considerável fora da inclusão digital. Mostrar para eles que o software não pode ser “quebrado” e fazer com eles o utilizem sem medo, aumentando o lucro do mercado de software em geral.

Comentários

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